Wednesday, December 09, 2015

"com licença poética"


intrigavam-na as que se passeiam com os seus rebentos de soja. se tiver um, já é muito. enquanto seca a pele ao sol. quanto tempo falta para secar tudo. de velhinho se torna menino. dois então. tem dois, já é muito. e há oráculos que profeciam um síndrome em vez da barriga. faz de conta que o corpo é imperturbável. que as noites são bem-dormidas. que anunciaram o fim do facebook, das frentes nacionais e da venda de armas. em contra-relógio faz de costas contas à vida. o auferido e por-ferir. é um tanto para o centro-dia e outro tanto para as iminências. se ao menos fosse grelada. mas hoje é 3aF e ainda vai a tempo de perder o euro milhões de festas. 
[facultativo: à-men, à-mãe, amei.

"somos poeira de estrelas"


O mapa está escondido
no céu da tua boca
apenas um dos heterónimos se esqueceu
onde deixaste

eu mesma ainda agora tinha aqui um
debaixo da língua
mas o sangue lavou-o

em todo o caso
é procurar a ilha amarela
follow the yellow brick road

encontramo-nos a meio caminho
the poet is (a) present





Bela Acordada

I.
experimenta o linho, em vez do celofane
- disseram-lhe
é mais orgânico e a pele respira

trocaram-lhe os fusos

ensanguentada
espera
o retorno do corpo
ao sono


II. 
não há beijo
vai comprimido
e pilhas

"vivá posmodernidade"
pensou para os seus botões-de-rosa
antes de adormecer

parasempre