Monday, July 30, 2007
Monday, July 23, 2007
Derrida e ToyStory
ou
"para o infinito... e mais além!"
“(…) Buzz opera num mundo virtual, mas isso não faz com que as coisas deixem de acontecer – pelo contrário. Nós sabemos que Buzz não pertence a uma aliança intergaláctica (…) mas o facto de ele acreditar nisso (…) produz muitas acções e eventos (…) no mundo actual”.O virtual tem o poder de produzir acontecimentos. Como Derrida chama, a actuavirtualidade – o actual virtual – faz com que coisas aconteçam. É, pois, esse o sentido de fazer uma política do virtual: esta tem um poder performativo, esta permitirá que certos acontecimentos tenham lugar.
in A Derrida Dictionary, Niall Lucy
Wednesday, July 18, 2007
Friday, June 29, 2007
Wednesday, June 13, 2007
Monday, June 04, 2007
desabafo a seis tempos
sento-me na grande mesa da vida e olho para o copo do tempo: meio cheio ou meio vazio?
não sei se chove lá fora.
sei que não aprendi a falar nenhuma nova língua
nem me tornei uma pessoa melhor
nem li o que podia
fortizzimo, ma non troppo
Thursday, May 31, 2007
over and over and over and over and over
ela passa os crepúsculos em catálogos de quinquilharia
pensando como seria feliz se tivesse mais um roupeiro onde
-se arrumar se arrumar se arrumar se a marrar se a marrar se marrar
ela passa as tardes em queixumes de chocolate e café
pensando como seria feliz se não tivesse queixumes
ela passa as manhãs em limpezas sísificas
pensando como seria feliz se as narinas da casa não espirrassem tanto pó
pensando como seria feliz se
pensando como seria feliz
pensando como seria
over
cata-estrofe
do outro lado do televisor, em formato pb, as bocas esfaimadas dos dias acercaram-se do talher que por esta altura já cheirava a peixe assado, sonhando com um ovo bem cozido.
Tuesday, May 29, 2007
Monday, May 21, 2007
Tuesday, May 15, 2007
Jantar de nãos
hoje não faço anos.
comemoro não anos . anos não comemoro
faço um jantar de nãos.
sem velas.
para me des lembrar quanto tempo não me falta
para desacordar
sem dizer adeus aos meus sapatos.
Monday, May 14, 2007
?missa em si
?si-belius ou o grande lobo da finlândia
?m-is-e-en-scène duma chávena partida
?mis-si-ssipi ou o grande engolidor de chamas
"esquece", disse-lhe, "dá-me antes um final"
?mi
?miss T. eriously.
?miss U.
"esquece", disse-lhe, "um ponto final fica just fine".
Saturday, May 12, 2007
Friday, May 11, 2007
Saturday, May 05, 2007
Sobre Literatura
“Toda a literatura é assunto de letras paradas fazerem ou não as coisas do mundo moverem-se.
(…)
Mas agir é diferente. Agir envolve alfabetos fisiológicos, construções gramaticais, humanas, e não só, que estabelecem ligações matemáticas e respiratórias entre, por exemplo, a necessidade de um organismo se alimentar e os projectos que a cabeça de um homem pode ter.
(…)
as únicas acções existentes na escrita são o escrever e o apagar. Se eu escrever agora ele corre, a única acção que existiu nesta frase foi a acção de escrever: agora ele corre.
(…)
Toda a escrita, pelo menos a decente, ou seja: a magnífica, toda a escrita instala, é certo, uma promessa de movimento, de acção.
(…)
Mas se existem dois pontos é porque existe uma distância entre eles que permite a distinção. E uma promessa de vida imediatamente a seguir concretizada - como sucede na grande literatura - é ainda um ponto que se sabe separado do Grande Ponto: isto é: da vida clássica, do sítio onde os nomes não existem, mas existe a morte, a doença, o acidente absolutamente bruto que pode levar em definitivo aquele com quem hoje queríamos conversar sobre algo inútil.”
Gonçalo M. Tavares
A colher de Samuel Beckett Ed. Campo das Letras
Sunday, April 29, 2007
"death is the mother of beauty" Wallace stevens
Então, numa manhã a Morte sorriu mostrando nos lábios o seu carácter perfeito, isento de mesquinhez; beijou-me a boca, as pernas, o coração. Perturbou-me.
No meu interior países fervilhavam, milhões de rostos se viraram à luz:
tudo era claro como nunca sucedera.
Começara outra vida: dera-se a iluminação"
Isabel de Sá Repetir o Poema, ed.quasi
Friday, April 27, 2007
Monday, April 23, 2007
Friday, April 20, 2007
work ON progress
Salazar é um fanático.
levanta-se cedo para nutrir o gosto pelo kitsch através da adoração iconófila das imagens de nossa senhora made in china.
Salazar é um fanático.
um sentimentalista incurável a quem se lhe comove a pupila direita sempre que o tímpano esquerdo pressente os primeiros acordes do hino.
Salazar é um fanático.
quer libertar os seus vizinhos do ócio, da podridão moral e económica. para o bem de todos.
Salazar é um fanático.
historiadores, biógraf@s, sociólog@s, psicólog@s, e cabeleireir@s não descobriram que o grande problema de Salazar foi a grande ausência de sentido de humor. Os fanáticos são sarcásticos.
Rir é uma forma de se outrar.
Um homem sem sentido de humor só podia ter uma ideia sem graça nenhuma, uma ideia de onde não se podiam colher cravos, nem qualquer outra espécie de VIDA. os impérios tal como as igrejas, nascem sob o sol da morte.
Dizem os cientistas que a perda das certezas elementares da vida pode ter originado o meio século mais contaminado de idei-ulogias. Portugal contraiu o vírus.
Depois veio a música.
eram vinte e duas horas e cinquenta e cinco minutos no relógio da rádio.
De quem é esta terra?
nossa.
Há uma promessa, uma promessa que é um cão de faro tapado.
Tuesday, April 17, 2007
um mês e um dia
sem mais delongas
o peixe-que-queria-ser-um-tira-linhas


