Friday, August 03, 2007
Thursday, August 02, 2007
Which is all that you can know on this side of the blue
(...)
And the rest of our lives will the moments accrue
When the shape of their goneness will flare up anew
Then we do what we have to do(-re-loo-re-loo)
Which is all that you can do on this side of the blue
Wednesday, August 01, 2007
hoje
as pequenas coisas simples
que eram até hoje
simples pequenas coisas
somente
simples coisas pequenas
ou, quando muito,
pequenas simples coisas
em tornam se em
hoje
tornam-se
hoje:
grandes e complicadas
complicadas e enormes
enormes e complicadíssimas
complicadíssimas e
possivelmente verdes.
porém, todavia, contudo
não deixaram de ser.
coisas.
hoje.
Monday, July 30, 2007
viagens
Monday, July 23, 2007
Derrida e ToyStory
ou
"para o infinito... e mais além!"
“(…) Buzz opera num mundo virtual, mas isso não faz com que as coisas deixem de acontecer – pelo contrário. Nós sabemos que Buzz não pertence a uma aliança intergaláctica (…) mas o facto de ele acreditar nisso (…) produz muitas acções e eventos (…) no mundo actual”.O virtual tem o poder de produzir acontecimentos. Como Derrida chama, a actuavirtualidade – o actual virtual – faz com que coisas aconteçam. É, pois, esse o sentido de fazer uma política do virtual: esta tem um poder performativo, esta permitirá que certos acontecimentos tenham lugar.
in A Derrida Dictionary, Niall Lucy
Wednesday, July 18, 2007
Friday, June 29, 2007
Wednesday, June 13, 2007
Monday, June 04, 2007
desabafo a seis tempos
sento-me na grande mesa da vida e olho para o copo do tempo: meio cheio ou meio vazio?
não sei se chove lá fora.
sei que não aprendi a falar nenhuma nova língua
nem me tornei uma pessoa melhor
nem li o que podia
fortizzimo, ma non troppo
Thursday, May 31, 2007
over and over and over and over and over
ela passa os crepúsculos em catálogos de quinquilharia
pensando como seria feliz se tivesse mais um roupeiro onde
-se arrumar se arrumar se arrumar se a marrar se a marrar se marrar
ela passa as tardes em queixumes de chocolate e café
pensando como seria feliz se não tivesse queixumes
ela passa as manhãs em limpezas sísificas
pensando como seria feliz se as narinas da casa não espirrassem tanto pó
pensando como seria feliz se
pensando como seria feliz
pensando como seria
over
cata-estrofe
do outro lado do televisor, em formato pb, as bocas esfaimadas dos dias acercaram-se do talher que por esta altura já cheirava a peixe assado, sonhando com um ovo bem cozido.
Tuesday, May 29, 2007
Monday, May 21, 2007
Tuesday, May 15, 2007
Jantar de nãos
hoje não faço anos.
comemoro não anos . anos não comemoro
faço um jantar de nãos.
sem velas.
para me des lembrar quanto tempo não me falta
para desacordar
sem dizer adeus aos meus sapatos.
Monday, May 14, 2007
?missa em si
?si-belius ou o grande lobo da finlândia
?m-is-e-en-scène duma chávena partida
?mis-si-ssipi ou o grande engolidor de chamas
"esquece", disse-lhe, "dá-me antes um final"
?mi
?miss T. eriously.
?miss U.
"esquece", disse-lhe, "um ponto final fica just fine".
Saturday, May 12, 2007
Friday, May 11, 2007
Saturday, May 05, 2007
Sobre Literatura
“Toda a literatura é assunto de letras paradas fazerem ou não as coisas do mundo moverem-se.
(…)
Mas agir é diferente. Agir envolve alfabetos fisiológicos, construções gramaticais, humanas, e não só, que estabelecem ligações matemáticas e respiratórias entre, por exemplo, a necessidade de um organismo se alimentar e os projectos que a cabeça de um homem pode ter.
(…)
as únicas acções existentes na escrita são o escrever e o apagar. Se eu escrever agora ele corre, a única acção que existiu nesta frase foi a acção de escrever: agora ele corre.
(…)
Toda a escrita, pelo menos a decente, ou seja: a magnífica, toda a escrita instala, é certo, uma promessa de movimento, de acção.
(…)
Mas se existem dois pontos é porque existe uma distância entre eles que permite a distinção. E uma promessa de vida imediatamente a seguir concretizada - como sucede na grande literatura - é ainda um ponto que se sabe separado do Grande Ponto: isto é: da vida clássica, do sítio onde os nomes não existem, mas existe a morte, a doença, o acidente absolutamente bruto que pode levar em definitivo aquele com quem hoje queríamos conversar sobre algo inútil.”
Gonçalo M. Tavares
A colher de Samuel Beckett Ed. Campo das Letras



