Friday, October 26, 2007
Wednesday, October 24, 2007
Aviso
espera-se que não haja palavras tingidas,
nem outra espécie de feridos.
ainda assim, há qualquer coisa de
encardido
na linguagem.
Wednesday, October 17, 2007
102º
depois o silêncio.
de
pois
o silêncio
do silêncio
do de pois
o silêncio
de um pássaro aberto em arquitecturas de folha
de um pássaro aberto em estradas de espuma e gerânios
depois o silêncio.
a dividir
o silêncio
do jardim da casa
onde habitam os monstros embelezados pela grande máquina de luz
depois o silêncio.
servido a talher
Thursday, October 11, 2007
101º
a grande caixa cardíaca abriu-se de corvos
depois.
ardeu a noite toda
Wednesday, October 10, 2007
100 mensagem
100. iluminar
um tropeço de poros
100. iluminar
instrumentos de-escrever- cada-vez-menos-palavras
100. iluminar
uma ambiguidade de estuques
100. iluminar
uma caixa de bolos
100.
migalhas
Tuesday, October 02, 2007
Ela. Quero cardar-me na tua pele.
uma inclinação de salivas
sob os cilícios da chuva
uma órbita de vermelho
sob os dedos dilatados
uma sucção de luzes
sob as coxas dos pássaros
uma queda de bocas
sob o carpir dos lençóis
uma paciência de líquidos
sob o início do vértice
Ela. Sabias que.
a
estátua da velha praça de medos
é
uma raiz de thuía
a
esculpir
o
barulho decapitado
- no fim das abóboras
era matá-La.
agonsalhos de outubro
Tens de ter mais confianças em ti! Põe a primeira que o carro está a ir abaixo abaixo.
Sei lá, acreditar mais em ti, nas tuas capacidades! Não achas que isso é sal a mais?
Mostrar aos outros o que vales, erguer a cabeça! Essa roupa não te fica bem, faz-te as ancas mais largas do que já são.
Tens de fazer valer o teu ponto de vista! Não tens razão, o que estás a dizer não tem sentido nenhum.
Saturday, September 29, 2007
sabes as regras não podes dizer .a perda. dizer .a perda. é perder duas vezes
sabes as regras .a perda. um homem não pode perder duas vezes .a perda.
sabes as regras podes brincar não podes dizer podes podes dizer a perca
sabes as regras .a perda. baixinho como se estivesses debaixo de água
sabes as regras a perca a perca a perca a perca a perca a perca a perca a perca
sabes as regras até que tudo seja somente um peixe
sabes as regras um grande peixe de memórias-salitre a decorar a sala
sabes as regras .a perda. um imenso sábado de morrinha na cama desfeita de manhã de single sheets tão feios mas eram .dela. sabes as regras não podes dizer single sheets tão feios eram da perca a perca que entrou no jogo a jogar um par de disponibilidade de olhos na altura a “cabeça do futuro” perguntou não tens medo da disponibilidade e respondeste tenho medo dos olhos e jogaste um ás de corações é a tua vez
sabes as regras .a perda. as escamas parecem-te mais bonitas que nunca
sabes as regras .a perda. mais bonitas o nunca que por acaso está a acontecer agora .a perda. debaixo de água
Friday, September 28, 2007
1. Quase Reflexão sobre Afelicidade
Com licença menina! Os olhos loucos a corar de azul, e um sorriso de sol-do-dia, que no Outono é mais frio e chove, e o cartão desfaz-se com mais facilidade. Ainda por cima tem uma perna em desajustamento rotativo, e coxeiam-lhe as roupas, coxeia-lhe a boina. Está satisfeito! Pescou alguma coisa no caixote do lixo e ainda foi a tempo de apanhar o autocarro. São 11h da manhã e corre-lhe bem o dia! Com licença, minha senhora! E a senhora dá licença. E ele senta-se. De uma simpatia, de uma delicadeza, de uma educação, menos rugosas que as rugas. Pergunto-me se é feliz. Pergunto-me se me perguntaria se ele é feliz se ele fosse outra pessoa, a vestir Normality for Men. Então para ser justa, para não discriminar ninguém, pergunto-me se a senhora que está ao lado dele é feliz.
E se a outra senhora que está atrás da referida primeira, é feliz.
E o senhor, e o rapaz, serão felizes? Pensarão se são felizes? Pensarão sobre a forma e o conteúdo, o estado e o porvir da situação de felicidade da senhora que está à frente, e que poderá ser ou não, muito pouco ou nada, feliz?
Depois pergunto-me, quem dali, a viajar naquele autocarro, àquela precisa hora, será feliz. Depois, para ser mesmo muito justa, pergunto-me
Outra-Coisa-Qualquermente-Inútil.
2. Breve Inquérito sobre Afelicidade
A. e você: já foi feliz hoje?
a) sim
b) não
c) mais ou menos
d)não penso sobre isso
B. Se na pergunta A respondeu a), volte a ler o texto inicial, do início ao fim, ou seja, todo! Se respondeu b) passe directamente ao ponto C deste inquérito. Se respondeu c) pare, escute e olhe, repense e reformule a resposta. Se respondeu d), congratule-se, vá à sua vida, obrigada pela atenção dispensada, não volte a responder a inquéritos, tenha uma boa tarde.
C. Este inquérito foi breve, para que não desperdice afelicidade, para que tenha tempo para afelicidade, no fundo e à superfície, não queremos atrapalhar a sua AFLICIDADE!Porque o que está aqui em jogo, é AFLICIDADE de tod@s @s portugueses!!!
Thursday, September 27, 2007
Tuesday, September 25, 2007
Noites Brancas

She esperava-o. Outro encontra-her. She continua a esperá-him. He não escreve há um ano. Porque não? Porque ficou assim combinando, não perguntei porquê. How Wise! She acredita que he vem. O outro crê que he não virá. She continua a acreditar que he vem. O outro jura que he não virá. Passámos por aqui, estivemos naquela ponte, e foi neste sítio que combinámos encontrar-nos. He não vem.
She leaves
looking like a boat
she leaves looking like a boat
she leaves looking like a boat that looks like a
barco de mar.mories
barco de night.mares
barco de flor.ments
barco de sila-byes
.th.e.and.
(de repente começa a voar.
Thursday, September 20, 2007
Tuesday, September 18, 2007
Agora tem uma expressão indiferente, distraída, como a dos passageiros obrigados a esperar muito tempo pelo comboio. Diz-lhe. Um dia faço qualquer coisa.
. um dia faço qualquer coisa
. um dia faz-se de qualquer coisa
. um dia desfaz-se por qualquer coisa
. um dia de qualquer coisa .como. qualquer coisa de um dia
Não tem paciência nem tempo para arranjar o cabelo, mete desajeitadamente as mechas soltas para trás e vai-se embora.
Parfois
Wednesday, September 12, 2007
pequenos apontamentos de ironia na rua
2. Ele está sentado no degrau, mas as suas calças cinzentas interrompem o azul e branco da calçada do passeio, o que por sua vez obriga os transeuntes não daltónicos a interromper, irremediavelmente ou não, os seus passos de quotidianeidade . Terá as pernas quentes de mais para este dia de verão tardio, o que não parece explicar por si as rugas, a preocupação das mãos pendentes no regaço. Olho. Um rosto triste, triste de mais para um dia de verão, triste demais para um homem só. Um boné branco, descuidado, esconde-lhe a inclinação resignada da cabeça, um boné que tem estampado "dá-lhe gás".
Tuesday, September 11, 2007
A propósito do 11 de Setembro ou os mortos que não figuram no jornal
Saturday, September 08, 2007
Setembro
.para o azul
são
os começos-de-alguma-coisa
mais ou menos
.azul
Friday, August 31, 2007
derivação a partir do poeta mário saa
por cima
dos gestos
abóbadas de obsessões de língua fria
terminam
no delíquio da cabeça a desmoronar-se em fieiras de orquídeas
por cima dos gestos
os gestos
molhados por dentro
gelhas de arrependimentos aquáticos
torturados como um vime pelo gosto do desfazer e o amor latente, cor de medronhos.
, vá de estalar.
os gestos
espargidos
na mesa de tinta vermelha
depois de descascados são caroços de granito
que se deitam à terra
esperando uma liturgia de rosas
para dizer -
“dá-me um dilúvio de fábulas
onde possa atear um batel de pergaminhos”
por cima
dos gestos
longinquamente algum país sombrio
de capital rouca e bigodes orvalhados
por cima dos gestos
os gestos
habitados por anjos de mosto com colares de musgo
a acenar num enorme balão veneziano
vêm de longe transbordar em linha d’ânforas
, vinte anos depois, como no cinema.
Sunday, August 12, 2007
to not-do list
- não procriar antes de haver paz na Terra bem como protocolos anti-poluição assinados por todos os países
- não comer chocolates sem ter dinheiro para fazer uma lipoaspiração
- não viajar sem boa música
-não escrever listas estúpidas e worthless

