Wednesday, April 08, 2009

) homesick

Monday, April 07, 2008

do suspencídio ou um adeus português

Queridas Pessoas:
este peixe não consegue dar conta de dois aquários públicos e outras jardinagens afins, como na forja diz que está uma espécie de primeiro livro.
assim sendo, o peixe-que-queria-ser-um-tira-linhas dá por suspenso este estaminé, e assume-se aranhiça
não sem antes agradecer, com todas as escamas e do fundo deste coração piscícolar, a generosidade dos e das que passaram por este aquário!
obrigada!!!
o-peixe-que-vai-ser-uma-aranhiça

Monday, February 11, 2008

suspencídio

: hoje é um dia como outro qualquer
por isso é um bom dia
um bom dia bom
como outro qualquer
bom dia bom para muitas
coisas
bom dia mau para outras
tantas
loisas
.
suspensão
.

metamorfoses de peixes
liláceos
debulhados
.
estufas de círios
suspeitas de seiva
.

Thursday, January 31, 2008

Amigo/as da Cultura

Leiam e subscrevam o texto do/as amigo/as da cultura, AQUI.
por.que.
Coimbra é hoje uma cidade amarfanhada do ponto de vista cultural(...)
E é sobretudo muito triste que Coimbra continue espartilhada nesta forma de encarar a actividade cultural e a criação artística e amarrada a uma tão grande incompreensão sobre o papel destas actividades no desenvolvimento das pessoas e da comunidade.(...)
Para dizer que já chega. Para mostrar que não aceitamos com naturalidade a redução sistemática das verbas destinadas à cultura. Para apelar a uma urgente inversão de rumo (...)

Wednesday, January 30, 2008

: e depois disse-lhe que tinha os olhos muito verdes

-

algas encarquilhadas nas pupilas giratórias do por vir

-

perdem invernos inteiros na mudança da cor

-


: e depois apareceu
o autocarro

Thursday, January 24, 2008

estratégia de sobrevivência

olho para a janela que-
olha para o gato que-
olha para o pássaro que-
olha para a minhoca que-
olha para mim-
com hálito a terra molhada e detritos antigos
e uma interrogação de cerdas em forma de anel
a deslizar pelo ventre destes dias de húmus

que-
um casulo cheio de ovos deixa a embalar o solo.

olha que-
pequenos vermes

Monday, January 21, 2008

viagem nas entranhas do mundo sentado

ana B poetiza-se no Brasil.
A Confraria do Vento tem alojados os poemas da ana B aqui.
entretanto:

havia uma viagem nas entranhas do mundo sentado // da espera // da antiguidade da pele*


e as articulações regiam-se pela espécie mais oculta
dos líquidos


a equação do malabarismo embrenhava a artífice do sono


na arqueologia descoberta das línguas dedilhadas // da bactéria gramatical // do perigo sossegado-sussurrado #


até a entrada nos pórticos salgados dos últimos continentes ligeiramente despertos/dispersos


na gestação dos imensos ombros acessos



* escolher uma ou várias

# adicionar mais


ana B

Saturday, January 19, 2008

O.M.O (Óptimo para Mulheres Oblíquas)*

agora ela sabe que.

agora ela sabe que.
é mais branco

agora ela sabe que.
é mais branco e lava melhor

agora ela sabe que.
os utensílios de cozinha servem para abotoar os olhos

agora ela sabe que.
a roupa passa-lhe os dias a ferro e amarrota-lhe os estames.

agora ela sabe que.
um mau passo faz coxear todo o vestido
e a estafa da boca é uma torneira cansada de ácaros e unguentos

agora ela sabe que.
o processo de ascensão é encardido
acaba e começa nas unhas

agora ela sabe que.
omo é a solução
e o sorriso é uma linha torta com espuma activa
que faz com que tudo se endireite


* NB: este poema deve ser esfregado aqui.

Monday, January 14, 2008

Desregresso

duas mil e oito formas de dizer adeus

definidas pela liquidez da contagem dos dias

permeáveis por dentro

alimentam-se de especiarias, flores, chocolates

e maçãs podres


às vezes riem-se à desgarrada
nervosinhas
inseguras
.
desregresso-me aí.

Wednesday, December 19, 2007

no princípio era

uma coisa

pequenina
inclassificável
.
depois
continuava uma coisa pequenina.

contudo
cresceu em quantidades extremamente razoáveis
para se poder dizer que
não cresceu
assim tanto.

ao que parece, não era um problema, e ensaboava os olhos todas as manhãs.
não percebia muito dos outr-iços que encontrava nos passeios golpeados assimetricamente para o lado de cá do ruído dos cabelos.
tinha recursos de azul que escorriam pelo canto da boca delineada a pixel.
pelos anos recebeu uma represália de orquídeas.
adormeceu a meio da morte, com tudo aquilo a que tinha direito
e mais um botão.

Tuesday, December 04, 2007

in memoriam

pescadores
macerados na salga
das flores. livros. orações

remendos azuis na rebentação

cumprem o mar.


Saturday, November 17, 2007

quando terminaram de me atirar todas as pedras
.
as lágrimas lavraram as feridas exangues
e percebi-me uma geometria de sólidos e gestos áridos
.
lambi-me na solidão das magnólias brancas
.
um candeeiro apagado
.
a morrer-se com a última estrela
numa desistência de luzes

Saturday, November 10, 2007

pour le monsieur A.

às x

já nem cabia na mala

ficava uma história com a gola a pender, ou uma pata de fora ou desgastavam-se os punhos de um provérbio sem botões

de punho

E depois ninguém podia dizer que fora por sua culpa que se perderam os mitos dos grandes ómens civilizadores educadores e desoutrificadores

.

pois não cabiam na mala-que-não-cabia

no porão

que era imenso e de ébano.

.

nem soprando no café confinado à chávena de retalhos de louça de Guell

poderia perceber a origem dos furacões

quanto mais a teimosia da mala onde não coubera – cabia – exígua -

.

ainda pensou na decantação da violeta de cristal por meio de um composto

orgânico

não

restava-lhe apenas

o cheiro a canela

açafrão

cardamomo

restava-lhe apenas

vestir o velho trajecto das especiarias

e entrar no caleidoscópio

. nú


Sunday, November 04, 2007

pássaros súbitos

em quedas de casco duplo


pulmões pressurizados

em mutilação de horas


campos a espernear

com panos húmidos na boca


?explicam

a metodologia da guerra


aprumada a maquinaria

pega de estaca.


e a grande Lacuna a sorrir-nos

(so polite!

desmembrada

vem à porta


.diz adeus.

Friday, October 26, 2007

o músculo da noite descansa na velha poltrona
um declínio de luzes
a repensar
a rota
da radícula

.
no herbanário da escola
uma lista de amores-imperfeitos
por secar
.

Wednesday, October 24, 2007

Aviso

Este blog foi à máquina de lavar, à temperatura recomendada de 40º, tecido brancos, delicados.
espera-se que não haja palavras tingidas,
nem outra espécie de feridos.
ainda assim, há qualquer coisa de
encardido
na linguagem.

Wednesday, October 17, 2007

102º

depois o silêncio.

de

pois

o silêncio

do silêncio

do de pois

o silêncio

de um pássaro aberto em arquitecturas de folha

de um pássaro aberto em estradas de espuma e gerânios

depois o silêncio.

a dividir

o silêncio

do jardim da casa

onde habitam os monstros embelezados pela grande máquina de luz

depois o silêncio.

servido a talher

Thursday, October 11, 2007

101º

de repente os dedos deram .um nó. sobre si mesmos e ficaram .amarrotados. a pensar que eram roupa suja foram esconder-se dentro da máquina de lavar que os tingiu de vermelho porque alguém se esqueceu da boca. um dos mecanismos de vermelho. e ficaram a pensar que eram amor. forraram a pele fosca pela fractura dos fardos .fêmea. estendida sob um ensinamento de sóis. derreteram.
a grande caixa cardíaca abriu-se de corvos
depois.
ardeu a noite toda

Wednesday, October 10, 2007

100 mensagem

uma fila de candeeiros partidos
100. iluminar
um tropeço de poros
100. iluminar
instrumentos de-escrever- cada-vez-menos-palavras
100. iluminar
uma ambiguidade de estuques
100. iluminar
uma caixa de bolos
100.
migalhas