Wednesday, April 20, 2016
Bulbo
os dias acabam
sem nunca terem começado
entro afogueada
e sento-me
no vaso antigo e meio lascado
sento-me na beirinha
e de pernas juntinhas
equilibrada
good girl
foi assim que envelheci
quando a lombar germinou
em curvatura
nem p'ra hastear
servia
aos bichos
deixei-me cair de costas
Saturday, February 27, 2016
"Jardim" // "o sol aceita a pele para ficar"
de joão almeida
"o sol aceita a pele para ficar"
I
leio os últimos poemas que escrevi // escrevo poemas a partir daqui
II
"tu não fazes só poesia por questões líricas"
*grátisfracassadaimperfeitaluminosacontaminadasublimelocalexpandidatrêsdêromanticapossívelagrafada
últimos
os
escrevi
que
poemas
últimos
os
leio
TU pqp pqp pqp
pqp pqp pqp NÃO FAZuriqueESublime
só SÓ SÓ SÓ
POESIA*
por QUESTÕES
LÍRICAS*
* fetatencionfetatencionfetatencionfetatencionfetatencionfetatencionfetatencionfetatencion
escrevo poemas a partir daqui
Tuesday, February 16, 2016
a principio pensaram tratar-se dos que não chegaram a nascer
debaixo de água
viviam uma existência nocturna
alimentando-se de insectos
eram capazes de explorar
alguns ficavam presos ao leito marinho
outros invadiam os cursos de água doce
já estavam em declíneo
e acabariam por desaparecer quase por completo
Wednesday, January 06, 2016
Nunca julgues um livro pela capa
Nunca julgues um livro pela capa
diz,
enquanto o segura
como uma espécie de tenaz
faz ainda três medições diferentes
os braços abertos em cruz
anota,
o corte com visões particulares do mundo
da metodologia convencional à criativa
o realismo estatístico dos agregados
Não é poesia, é mesmo assim. O bom vinho nasce da pedra
Wednesday, December 09, 2015
"com licença poética"
intrigavam-na as que se passeiam com os seus rebentos
de soja. se tiver um, já é muito. enquanto seca a pele ao sol. quanto tempo
falta para secar tudo. de velhinho se torna menino. dois então. tem dois, já é
muito. e há oráculos que profeciam um síndrome em vez da barriga. faz de conta que o corpo é imperturbável. que as noites são bem-dormidas. que anunciaram o fim do facebook, das frentes nacionais e da venda de armas. em contra-relógio
faz de costas contas à vida. o auferido e por-ferir. é um tanto para o centro-dia e outro tanto para as iminências. se ao menos fosse grelada. mas hoje é 3aF e ainda vai a
tempo de perder o euro milhões de festas.
[facultativo: à-men, à-mãe, amei.
manual de sobrevivência
não confundir chagall com chacal
é pernas p'ra que te quero quando se avista CHA
"somos poeira de estrelas"
O mapa está escondido
no céu da tua boca
apenas um dos heterónimos se esqueceu
onde deixaste
eu mesma ainda agora tinha aqui um
debaixo da língua
mas o sangue lavou-o
em todo o caso
é procurar a ilha amarela
follow the yellow
brick road
encontramo-nos a meio caminho
the poet is (a) presentWednesday, November 04, 2015
Friday, October 30, 2015
Tiragem
já nem pelos dedos de uma mão
se contam @s meus amig@s.
ó grácio! já dá pra fazer uma edição
de cinco exemplares
sem que se esgote
apoesia
Friday, October 23, 2015
the new romantics
a cynical
transfer
falling in deficit
a common
currency
a single
currency
looking for
a glimpse of goodness
can we discuss the rules?
no
why?
because they’re the rules
designated to fail in love
private debt to feed public mouths
in the breach
blood
on the snow
white
elephants
as money sitting
there
doing
nothing for us
if only
a dangerous
animal
lecturing
on economics-for-all
in the journey crossing over
Eurozone
find a a
river boat
and start
to
sink
sing
Sunday, October 11, 2015
a vida adiada
"cantiga de s. joão"
(...)
"Olha a noite como corre
como passa tão depressa
amigos a noite morre
quando é que a manhã começa?
Quando é que a manhã começa
que é para a gente começar
dos pés até à cabeça
a mexer a respirar?"
(...)
Mário de Cesariny
(...)
"Olha a noite como corre
como passa tão depressa
amigos a noite morre
quando é que a manhã começa?
Quando é que a manhã começa
que é para a gente começar
dos pés até à cabeça
a mexer a respirar?"
(...)
Mário de Cesariny
Thursday, October 08, 2015
external politics
clapping with a metronome
to the mistakes and grammatical oddities
which will end up as retentions
where the method of
systematic doubt can be applied
while the traffic
controlling operations
shepherd visitors in a certain direction
'get out’
requires instant
compliance
Wednesday, October 07, 2015
my private (a)f(f)airs
wax figures
aerial and terrestrial
strong people
as
unplayable techniques
trained animals
lined-up
for
containing a large number of entries
and for
being one of the first
repertoire of deceptions
something like thirty different methods of
cheating at cards
that never work
like breeding tiptoe(r)s
the acceptance of “utility”
as in
never quit performing on the rope
Monday, October 05, 2015
Thursday, September 24, 2015
pequeno-almoço II
há algo de errado
em tudo isto
e eu sei que tu sabes que eu sei
há até uma explicação científica
mas isso de pouco vale
quando tens insónias
e enfias os pesadelos pela goela abaixo
as dívidas debaixo do tapete
as dores à obra
e eu sou toda-ouvidos
mas não faço nada
tu falas
eu oiço
e não acontece nada
então dividimos a culpa em três quartos
e começamos por cima
a rapar
Wednesday, August 12, 2015
Tuesday, August 11, 2015
sejamos então doentes
não nos desgastemos mais
a tirar as ervas
entre os tomateiros
não vão reverdescer
novas palavras
para comunicarmos mais saudáveis
sejamos então doentes
até ao figado
gozemos a cor amarelada da pele
gozemos a fama e o proveito
gozemos o esforço desnecessário
gozemos a dor e os intervalos a fumo
gozemos as coisas a mais e o pouco que nos resta
gozemos as coisas a mais e o pouco que nos resta
naquela coisa onde a gente pôs as uvas
vejamos aparecer
uma cirrose bem treinada nas artes da retórica
que diga por nós
.
as saudades já não me bastam
para pôr a comida na mesa
alimento-me de mim e deixo-me engordar
a olhos vistos
fechei as janelas para não ter correntes d’ar
para não ouvir mais o galo
nem os pássaros demasiadamente matutinos
tenho a língua desbotada do sol
e queimei há muito
o último vestido
em condições de aparecer em público
não quero provar mais nada
ajustar
justificar
à esquerda
ou mesmo à direita
prefiro dar à costa
tenho medo
por exemplo
de me esquecer de tomar os comprimidos
por exemplo
de não saber o caminho de volta
mas fecho os olhos
e faço-me
Sunday, September 14, 2014
nova série em processo
este é o primeiro poema de uma série de
experimentações psicotecnopoéticas, ainda na forja, muito rudimentares
seguramente - toscas, mesmo- agrupadas sob a etiqueta:
On the Poetics and Politics of Being Left
alone
poema 1 - "biografia"
Subscribe to:
Posts (Atom)