Saturday, May 21, 2011

Blood at the crossroads (2)

Blood at the Crossroads

a fornecer
a fomentar
a Transferir
a alcançar
a possibilitar
a desalojar
a persistir
a excluir
a escalar
a alagar a alagar a alagar

Blood at the Crossroads
 
algemas fixas de parede
algemas metálicas de dedos
“punhos” e “mangas” de 50.000V
minas
helicópteros
aviões bombardeiros
veículos blindados
camiões

Blood at the Crossroads
a Guerra é um Brinquedo
da Praça do Império,
das variações e falhas dos Taser
da regulação do comércio global de armas pelas falsas luzes verdes

Blood at the Crossroads
carnificina para fechar os olhos
as crianças climáticas a envelhecer pelos poros traficados
as mãos indígenas corrigidas em refinarias de alumínio
os olhos reprodutíveis para desenvolvimento comercial eriçado
a dizer adeus às coisas lá de cima

Blood at the Crossroads
habitações para abrir a fala de Mindjeris
e os pesticidas a preparar películas e discursos para o dia mundial
da água com

Blood at the Crossroads






(2) texto escrito no âmbito das comemorações dos 30 anos da Amnistia Internacional. texto performado com Rute Oliveira, enquanto "Oficina de Poesia", a 18 de Maio de 2011, na Fábrica Braço de Prata (Lisboa). Aqui 

Sunday, April 03, 2011


Inclinei-me 
sobre a varanda
para ver como as tulipas encarquilham

em linguagens carbonizadas e guizos de embarque

.

em defesa da capital

apanhei todas as cuecas

e meias do estendal

Sunday, January 16, 2011

em cartaz


ouvi isto num fill
me

 ] esta vida esteve
tão próxima 
de nunca

acontecer [

e 

aconteceu

me

Sunday, January 09, 2011


para envelhecer em espiral
é preciso ir no sentido das marés vazias
e regressar como um planeta quadrado

a entornar-se de novo
sobre se
são quinze cânticos sempre
a mexer
o panelão


aos olhos é preciso pôr-lhes azulejo
e aspersores
partir o pão e descascar
a mitologia litoral
os frutos secos 

entupir-se




Saturday, January 08, 2011

a renda da casa

'certo napperon 
'é 
'com dois 
'pes
pontos'



] e uma sesta da Eva, mas isso seria muito rebuscado e o que não mata
pesponta mesmo quando os tubos estão modernamente preparados para o pós
tumolo e gavetas e sonecas de Telleman
a ter acesso às mãos
a retirar-se da água para não perder demais
da última
pês foi um pé de sépias amputadas pelas semiperiferias semeadas a soro
folêgo em murmurar pelos balões botânicos



] vou buscar o bule da Sallete
passas-me o naperão? A Adília
levou-me

os guardanapos
temos sempre as mangas
e as minhas falas vazias como

numa tira de BD



Monday, January 03, 2011

1102 - 2011

re. re. re. re. re. re.re. re. re. re.

come.ço

Friday, December 17, 2010

a tenaz tem dois braços
my handbook
of sociocultural incompetence
pode ver-se
o tipo
de locomoção
those who plant caninos maiores towards capítulos de
understand.ability frondosa
comprehen.sibility se te
sentes
e juntar candeias eléctricas pelos fragmentos das coisas desconchavadas
e arregalar os navios descascados e as nespêras descargas
e jurar a pés juntos que a costura aleija
e repetir os critérios da cevada certificada
e mexer na plasticina até ter tudo tolhido

isto até pegou
a princípio
homesick (

Wednesday, April 08, 2009

) homesick

Monday, April 07, 2008

do suspencídio ou um adeus português

Queridas Pessoas:
este peixe não consegue dar conta de dois aquários públicos e outras jardinagens afins, como na forja diz que está uma espécie de primeiro livro.
assim sendo, o peixe-que-queria-ser-um-tira-linhas dá por suspenso este estaminé, e assume-se aranhiça
não sem antes agradecer, com todas as escamas e do fundo deste coração piscícolar, a generosidade dos e das que passaram por este aquário!
obrigada!!!
o-peixe-que-vai-ser-uma-aranhiça

Monday, February 11, 2008

suspencídio

: hoje é um dia como outro qualquer
por isso é um bom dia
um bom dia bom
como outro qualquer
bom dia bom para muitas
coisas
bom dia mau para outras
tantas
loisas
.
suspensão
.

metamorfoses de peixes
liláceos
debulhados
.
estufas de círios
suspeitas de seiva
.

Thursday, January 31, 2008

Amigo/as da Cultura

Leiam e subscrevam o texto do/as amigo/as da cultura, AQUI.
por.que.
Coimbra é hoje uma cidade amarfanhada do ponto de vista cultural(...)
E é sobretudo muito triste que Coimbra continue espartilhada nesta forma de encarar a actividade cultural e a criação artística e amarrada a uma tão grande incompreensão sobre o papel destas actividades no desenvolvimento das pessoas e da comunidade.(...)
Para dizer que já chega. Para mostrar que não aceitamos com naturalidade a redução sistemática das verbas destinadas à cultura. Para apelar a uma urgente inversão de rumo (...)

Wednesday, January 30, 2008

: e depois disse-lhe que tinha os olhos muito verdes

-

algas encarquilhadas nas pupilas giratórias do por vir

-

perdem invernos inteiros na mudança da cor

-


: e depois apareceu
o autocarro

Thursday, January 24, 2008

estratégia de sobrevivência

olho para a janela que-
olha para o gato que-
olha para o pássaro que-
olha para a minhoca que-
olha para mim-
com hálito a terra molhada e detritos antigos
e uma interrogação de cerdas em forma de anel
a deslizar pelo ventre destes dias de húmus

que-
um casulo cheio de ovos deixa a embalar o solo.

olha que-
pequenos vermes

Monday, January 21, 2008

viagem nas entranhas do mundo sentado

ana B poetiza-se no Brasil.
A Confraria do Vento tem alojados os poemas da ana B aqui.
entretanto:

havia uma viagem nas entranhas do mundo sentado // da espera // da antiguidade da pele*


e as articulações regiam-se pela espécie mais oculta
dos líquidos


a equação do malabarismo embrenhava a artífice do sono


na arqueologia descoberta das línguas dedilhadas // da bactéria gramatical // do perigo sossegado-sussurrado #


até a entrada nos pórticos salgados dos últimos continentes ligeiramente despertos/dispersos


na gestação dos imensos ombros acessos



* escolher uma ou várias

# adicionar mais


ana B

Saturday, January 19, 2008

O.M.O (Óptimo para Mulheres Oblíquas)*

agora ela sabe que.

agora ela sabe que.
é mais branco

agora ela sabe que.
é mais branco e lava melhor

agora ela sabe que.
os utensílios de cozinha servem para abotoar os olhos

agora ela sabe que.
a roupa passa-lhe os dias a ferro e amarrota-lhe os estames.

agora ela sabe que.
um mau passo faz coxear todo o vestido
e a estafa da boca é uma torneira cansada de ácaros e unguentos

agora ela sabe que.
o processo de ascensão é encardido
acaba e começa nas unhas

agora ela sabe que.
omo é a solução
e o sorriso é uma linha torta com espuma activa
que faz com que tudo se endireite


* NB: este poema deve ser esfregado aqui.

Monday, January 14, 2008

Desregresso

há duas mil e oito formas de dizer adeus

definidas pela liquidez da contagem dos dias

permeáveis por dentro

alimentam-se de especiarias, flores, chocolates

e maçãs podres


às vezes riem-se à desgarrada
nervosinhas
inseguras
.
desregresso-me aí.

Wednesday, December 19, 2007

no princípio era

uma coisa

pequenina
inclassificável
.
depois
continuava uma coisa pequenina.

contudo
cresceu em quantidades extremamente razoáveis
para se poder dizer que
não cresceu
assim tanto.

ao que parece, não era um problema, e ensaboava os olhos todas as manhãs.
não percebia muito dos outr-iços que encontrava nos passeios golpeados assimetricamente para o lado de cá do ruído dos cabelos.
tinha recursos de azul que escorriam pelo canto da boca delineada a pixel.
pelos anos recebeu uma represália de orquídeas.
adormeceu a meio da morte, com tudo aquilo a que tinha direito
e mais um botão.

Tuesday, December 04, 2007

in memoriam

pescadores
macerados na salga
das flores. livros. orações

remendos azuis na rebentação

cumprem o mar.