Wednesday, January 30, 2008
Friday, January 25, 2008
Thursday, January 24, 2008
estratégia de sobrevivência
olha para o gato que-
olha para o pássaro que-
olha para a minhoca que-
olha para mim-
com hálito a terra molhada e detritos antigos
e uma interrogação de cerdas em forma de anel
a deslizar pelo ventre destes dias de húmus
que-
um casulo cheio de ovos deixa a embalar o solo.
olha que-
pequenos vermes
Monday, January 21, 2008
viagem nas entranhas do mundo sentado
A Confraria do Vento tem alojados os poemas da ana B aqui.
entretanto:
havia uma viagem nas entranhas do mundo sentado // da espera // da antiguidade da pele*
e as articulações regiam-se pela espécie mais oculta
dos líquidos
a equação do malabarismo embrenhava a artífice do sono
na arqueologia descoberta das línguas dedilhadas // da bactéria gramatical // do perigo sossegado-sussurrado #
até a entrada nos pórticos salgados dos últimos continentes ligeiramente despertos/dispersos
na gestação dos imensos ombros acessos
* escolher uma ou várias
# adicionar mais
Saturday, January 19, 2008
O.M.O (Óptimo para Mulheres Oblíquas)*
agora ela sabe que.
é mais branco
agora ela sabe que.
é mais branco e lava melhor
agora ela sabe que.
os utensílios de cozinha servem para abotoar os olhos
agora ela sabe que.
a roupa passa-lhe os dias a ferro e amarrota-lhe os estames.
agora ela sabe que.
um mau passo faz coxear todo o vestido
e a estafa da boca é uma torneira cansada de ácaros e unguentos
agora ela sabe que.
o processo de ascensão é encardido
acaba e começa nas unhas
agora ela sabe que.
omo é a solução
e o sorriso é uma linha torta com espuma activa
que faz com que tudo se endireite
* NB: este poema deve ser esfregado aqui.
Monday, January 14, 2008
Desregresso
definidas pela liquidez da contagem dos dias
permeáveis por dentro
alimentam-se de especiarias, flores, chocolates
e maçãs podres
às vezes riem-se à desgarrada
nervosinhas
inseguras
.
desregresso-me aí.
Wednesday, December 19, 2007
uma coisa
pequenina
inclassificável
.
depois
continuava uma coisa pequenina.
contudo
cresceu em quantidades extremamente razoáveis
para se poder dizer que
não cresceu
assim tanto.
ao que parece, não era um problema, e ensaboava os olhos todas as manhãs.
não percebia muito dos outr-iços que encontrava nos passeios golpeados assimetricamente para o lado de cá do ruído dos cabelos.
tinha recursos de azul que escorriam pelo canto da boca delineada a pixel.
pelos anos recebeu uma represália de orquídeas.
adormeceu a meio da morte, com tudo aquilo a que tinha direito
e mais um botão.
Tuesday, December 04, 2007
in memoriam
macerados na salga
das flores. livros. orações
remendos azuis na rebentação
cumprem o mar.
Saturday, November 17, 2007
Saturday, November 10, 2007
às x
já nem cabia na mala
ficava uma história com a gola a pender, ou uma pata de fora ou desgastavam-se os punhos de um provérbio sem botões
de punho
E depois ninguém podia dizer que fora por sua culpa que se perderam os mitos dos grandes ómens civilizadores educadores e desoutrificadores
.
pois não cabiam na mala-que-não-cabia
no porão
que era imenso e de ébano.
.
nem soprando no café confinado à chávena de retalhos de louça de Guell
poderia perceber a origem dos furacões
quanto mais a teimosia da mala onde não coubera – cabia – exígua -
.
ainda pensou na decantação da violeta de cristal por meio de um composto
orgânico
não
restava-lhe apenas
o cheiro a canela
açafrão
cardamomo
restava-lhe apenas
vestir o velho trajecto das especiarias
e entrar no caleidoscópio
. nú
Sunday, November 04, 2007
Friday, October 26, 2007
Wednesday, October 24, 2007
Aviso
espera-se que não haja palavras tingidas,
nem outra espécie de feridos.
ainda assim, há qualquer coisa de
encardido
na linguagem.
Wednesday, October 17, 2007
102º
depois o silêncio.
de
pois
o silêncio
do silêncio
do de pois
o silêncio
de um pássaro aberto em arquitecturas de folha
de um pássaro aberto em estradas de espuma e gerânios
depois o silêncio.
a dividir
o silêncio
do jardim da casa
onde habitam os monstros embelezados pela grande máquina de luz
depois o silêncio.
servido a talher
Thursday, October 11, 2007
101º
a grande caixa cardíaca abriu-se de corvos
depois.
ardeu a noite toda
Wednesday, October 10, 2007
100 mensagem
100. iluminar
um tropeço de poros
100. iluminar
instrumentos de-escrever- cada-vez-menos-palavras
100. iluminar
uma ambiguidade de estuques
100. iluminar
uma caixa de bolos
100.
migalhas
Tuesday, October 02, 2007
Ela. Quero cardar-me na tua pele.
uma inclinação de salivas
sob os cilícios da chuva
uma órbita de vermelho
sob os dedos dilatados
uma sucção de luzes
sob as coxas dos pássaros
uma queda de bocas
sob o carpir dos lençóis
uma paciência de líquidos
sob o início do vértice
Ela. Sabias que.
a
estátua da velha praça de medos
é
uma raiz de thuía
a
esculpir
o
barulho decapitado
- no fim das abóboras
era matá-La.
agonsalhos de outubro
Tens de ter mais confianças em ti! Põe a primeira que o carro está a ir abaixo abaixo.
Sei lá, acreditar mais em ti, nas tuas capacidades! Não achas que isso é sal a mais?
Mostrar aos outros o que vales, erguer a cabeça! Essa roupa não te fica bem, faz-te as ancas mais largas do que já são.
Tens de fazer valer o teu ponto de vista! Não tens razão, o que estás a dizer não tem sentido nenhum.
Saturday, September 29, 2007
sabes as regras não podes dizer .a perda. dizer .a perda. é perder duas vezes
sabes as regras .a perda. um homem não pode perder duas vezes .a perda.
sabes as regras podes brincar não podes dizer podes podes dizer a perca
sabes as regras .a perda. baixinho como se estivesses debaixo de água
sabes as regras a perca a perca a perca a perca a perca a perca a perca a perca
sabes as regras até que tudo seja somente um peixe
sabes as regras um grande peixe de memórias-salitre a decorar a sala
sabes as regras .a perda. um imenso sábado de morrinha na cama desfeita de manhã de single sheets tão feios mas eram .dela. sabes as regras não podes dizer single sheets tão feios eram da perca a perca que entrou no jogo a jogar um par de disponibilidade de olhos na altura a “cabeça do futuro” perguntou não tens medo da disponibilidade e respondeste tenho medo dos olhos e jogaste um ás de corações é a tua vez
sabes as regras .a perda. as escamas parecem-te mais bonitas que nunca
sabes as regras .a perda. mais bonitas o nunca que por acaso está a acontecer agora .a perda. debaixo de água
Friday, September 28, 2007
1. Quase Reflexão sobre Afelicidade
Com licença menina! Os olhos loucos a corar de azul, e um sorriso de sol-do-dia, que no Outono é mais frio e chove, e o cartão desfaz-se com mais facilidade. Ainda por cima tem uma perna em desajustamento rotativo, e coxeiam-lhe as roupas, coxeia-lhe a boina. Está satisfeito! Pescou alguma coisa no caixote do lixo e ainda foi a tempo de apanhar o autocarro. São 11h da manhã e corre-lhe bem o dia! Com licença, minha senhora! E a senhora dá licença. E ele senta-se. De uma simpatia, de uma delicadeza, de uma educação, menos rugosas que as rugas. Pergunto-me se é feliz. Pergunto-me se me perguntaria se ele é feliz se ele fosse outra pessoa, a vestir Normality for Men. Então para ser justa, para não discriminar ninguém, pergunto-me se a senhora que está ao lado dele é feliz.
E se a outra senhora que está atrás da referida primeira, é feliz.
E o senhor, e o rapaz, serão felizes? Pensarão se são felizes? Pensarão sobre a forma e o conteúdo, o estado e o porvir da situação de felicidade da senhora que está à frente, e que poderá ser ou não, muito pouco ou nada, feliz?
Depois pergunto-me, quem dali, a viajar naquele autocarro, àquela precisa hora, será feliz. Depois, para ser mesmo muito justa, pergunto-me
Outra-Coisa-Qualquermente-Inútil.
2. Breve Inquérito sobre Afelicidade
A. e você: já foi feliz hoje?
a) sim
b) não
c) mais ou menos
d)não penso sobre isso
B. Se na pergunta A respondeu a), volte a ler o texto inicial, do início ao fim, ou seja, todo! Se respondeu b) passe directamente ao ponto C deste inquérito. Se respondeu c) pare, escute e olhe, repense e reformule a resposta. Se respondeu d), congratule-se, vá à sua vida, obrigada pela atenção dispensada, não volte a responder a inquéritos, tenha uma boa tarde.
C. Este inquérito foi breve, para que não desperdice afelicidade, para que tenha tempo para afelicidade, no fundo e à superfície, não queremos atrapalhar a sua AFLICIDADE!Porque o que está aqui em jogo, é AFLICIDADE de tod@s @s portugueses!!!